Jeanne Moreau: toda a força da Nouvelle Vague

Jeanne Moreau, ícone da Nouvelle Vague do cinema francês, faleceu neste ano, aos 89 anos de idade. Atuou em mais de 100 filmes ao longo de quase sete décadas de cinema, nunca abandonou o teatro e se dedicou inteiramente à arte enquanto viveu. O centoequatro realiza agora uma Mostra de seus filmes mais famosos em homenagem à artista, sua vida e carreira!

Quem foi Jeanne Moreau?

Jeanne Moreau: ícone da nouvelle vague

Jeanne Moreau. Fonte: Independet

Jeanne Moreau nasceu em Paris, em 1928, e faleceu na mesma cidade. Reconhecida por seu talento em filmes de sucesso, ela foi, também, atriz de teatro e cantora.

Começou sua carreira aos 19 anos no teatro, inspirada por Jean Anouilh. Estudou no Conservatório Nacional de Arte de Paris e integrou a Comédie-Française em 1947. O convite de estréia no cinema veio com o filme “Dernier Amour”, de Jean Stelli. Alcançou o estrelato em 1958, com os filmes “Ascensor para o Cadafalso” e “Os Amantes”.

Já contracenou com Brigitte Bardot em “Viva Maria!”, de Luís Buñel, e trabalhou ao lado de outros cineastas como Malle e, especialmente, Truffaut, quando ela interpretou Catherine em “Uma Mulher pra Dois” e se tornou um dos maiores símbolos da Nouvelle Vague. Ela reunia as características do movimento, autêntica e independente, e as incorporava nos papéis e na vida.

Foi uma mulher livre, rebelde e a serviço das causas que acreditava. – Emmanuel Macron

A Nouvelle Vague

A década de 50, em especial o ano de 1959, foi um divisor de águas para o cinema francês. Marcou o início de uma era onde grandes cineastas tiveram destaque, como François Truffaut, Marcel Camus, Claude Chabrol, Eric Rohmer, Jacques Rivette e Jean Doniol. Nascia, pelas mãos de jovens artistas com forte carga cultural, um novo jeito de se representar e construir o cinema, em formato de arte moderna.

François Truffaut e Jean-Luc Godard são considerados os líderes do movimento. Os filmes “Os Incompreendidos”, de Truffaut, e “O Acossado”, de Godard, são marcos da Nouvelle Vague.

Como tudo teve início

Assim como qualquer outro grande movimento, a Nouvelle Vague tinha um veículo de divulgação principal: a revista “Cahiers du Cinéma” (Cadernos do Cinema). Nela, alguns dos críticos e cineastas famosos da época publicaram artigos e peças sobre a revolução que queriam ver no cinema: uma livre expressão, que revelasse tabus e adotasse novos formatos estéticos.

Tinham o anseio de mudança, mas para que a nova era surgisse foi preciso colocar em prática tudo aquilo  que esperavam ver na grande tela. Foi nesse contexto que Jean-Luc Godard mostrou todo seu potencial inovativo, tornando-se um dos nomes mais revolucionários do cinema independente mundial. Ele não buscava seguir os planos originais do cinema clássico, predominantemente americanos e seguindo a ordem cronológica nas cenas. Ele passava valores contraditórios, fugia da sequência temporal contínua e seus planos, roteiro e enquadramentos eram provocativos.

Os fundadores do movimento queriam que o cinema fosse visto como uma linguagem, assim como as outras artes. O cineasta é um artista capaz de expressar sua visão de mundo, seus sentimentos, anseios e dramas assim como qualquer outro artista. Ele pode inovar, colocar no filme significados especiais e, assim, reinventar a própria arte onde se inseriu.

O movimento buscava cinema flexível, onde houvesse a possibilidade de criar e dar conta de conteúdos psicológicos, dramas sociais e transformações estéticas. Foi na Nouvelle Vague que surgiu a ideia de “cinema autoral”, que tem a cara do autor, reflete a psiquê do artista e torna-se um diário íntimo.

Mas e Jeanne Moreau?

Jeanne Moreau em Jules & Jim (Uma Mulher pra Dois)

Moreau também foi diretora e cineasta, mas foi, sobretudo, a atriz que encarnava o que os diretores da Nouvelle Vague queriam: espontaneidade, inovação, intimidade.

Ela deu corpo a diversas mulheres fortes e rebeldes, inconformadas com as condições que lhes foram impostas. O cinema, para Moreau, não era uma carreira, e sim uma vida, como ela mesma afirmava. É uma representação da vida em suas diversas formas – É por esse motivo que muitos de seus filmes foram censurados.

E não foi só na França…

É verdade que o trabalho dos artistas da Nouvelle Vague promoveram debates na época e inspiram cineastas franceses até hoje. O festival de Cannes já teve uma edição em homenagem ao cinema autoral francês, chamada “Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague”.

A influência do movimento se expandiu com a contracultura, nos anos 60, um movimento libertário, originalmente estadunidense, de contestação ao conservadorismo cultural. A Nouvelle Vague não se restringiu a França: influenciou artistas em diversos países europeus e até mesmo cineastas brasileiros. Glauber Rocha já trabalhou com Godard, em “Vent d’Est” e produziu filmes nacionais premiados no exterior.

Filme consagrado

Mulher para Dois (1962)

Sinopse: Jules (Oskar Werner) e Jim (Henri Serre) são grandes amigos que, em uma viagem, conhecem Catherine (Jeanne Moreau) e se apaixonam perdidamente por ela. Os três logo se tornam inseparáveis, determinados a ter grandes aventuras juntos, e a disputa entre os dois homens pela bela mulher se intensifica.

Confira o trailer:

Esse título foi o que marcou Moreau no cinema francês autoral e está sendo exibido na mostra do Cine Centoequatro!

Programação no Centoequatro

Quer comparecer a uma mostra de cinema dedicada exclusivamente à Jeanne Moreau? Nos dias 13 e 14 de setembro, acontece a Mostra Mademoiselle, no Cine Centoequatro (Praça Ruy Barbosa, 104, Centro). É uma homenagem a atriz, cineasta e cantora que deixou uma carreira extensa, totalmente dedicada à arte e à cultura. A entrada é gratuita e sujeita a lotação. Os ingressos devem ser retirados uma hora antes da sessão.

Veja a programação completa.

madem

Realização e parcerias:

Aliança Francesa Belo Horizonte, Cine Centoequatro, Embaixada da França no Brasil, Cine Cinemateca da Embaixada da França no Brasil, Institut Français.

 

 

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