Quem foi Auguste de Saint-Hilaire?

Essa edição do XXIV Simpósio de Plantas Medicinais do Brasil comemora os 200 anos da chegada do naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire ao Brasil. Mas quem é Saint-Hilaire e por que ele está sendo homenageado? Para responder as suas perguntas resolvemos fazer um post dedicado à passagem dele pelo país e suas contribuições para a botânica.

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A. de Saint-Hilaire

Auguste François Cesar Prouvençal de Saint-Hilaire nasceu em 1779 na cidade de Orléans na França. Chegou ao Brasil em 1816 acompanhando a missão extraordinária do Duque de Luxemburgo, com a aprovação do Museu de História Natural de Paris e o financiamento do Ministério do Interior para realizar seus estudos e mandar amostras da flora local para os museus da França.

Em sua passagem pelo Brasil fez observações sensíveis e minuciosas sobre a natureza nas antigas províncias da região sudeste, à época praticamente intocadas pela civilização. Também recolhia informações sobre o uso que os brasileiros faziam das plantas na medicina e alimentação, enriquecendo seus relatos com detalhes da cultura, geografia e antropologia dos lugares, assim, transportava o leitor para dentro de sua viagem.

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Pantes usuelles des brasiliens. Um dos primeiros livros de Saint-Hilaire

Tinha muito conhecimento do português, sendo capaz até de explicar a origem das palavras e diferenciar sotaques regionais. Se identificava com as pessoas em Minas Gerias e falava dos problemas do país de forma delicada, mostrando preocupação com a situação do Brasil. Se preocupava também com as queimadas nas florestas, que destruíam grande parte da mata virgem, apenas para abrir espaço para o cultivo de milho.

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Retrato das expedições dentro da mata atlântica no Brasil.

Andava sempre em lombo de cavalos e mulas por estradas empoeiradas abertas com facão por seus companheiros de viagem, frequentemente escravos. Como vivia na estrada, teve de aprender a dormir em redes, conviver com mosquitos, não ter medo de animais selvagens e sobreviver sem as comidas com as quais estava acostumado, muitas vezes passando por privações. Usava sua mala como mesa para fazer anotações e mesmo com todas as adversidades ele seguia viajando por ser completamente apaixonado pela riqueza natural da mata atlântica.

Auguste de Saint-Hilaire deixou o Brasil em 1822 após ser envenenado por mel de vespa, que compromete o sistema nervoso. Para se tratar, ele voltou para o sul da França e lá ele começou a escrever os livros e publicá-los. Faleceu em 1833 aos 74 anos, mas suas obras são citadas e estudadas até hoje no ensino de botânica da Sorbone.

 

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